quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Te escuto mas não te sinto.
Te escuto e me sinto.



São, acima de tudo, os seus olhos. Os seus olhos entorpecidos que transbordam, consciente e inconscientemente, cansaço. Cansaço de tudo, de todos. Cansaço de não conseguir ver um sentido à sua frente, aquele sentido frágil e suscetível a um "Já não basta", mas que se agarra lá no fundo do âmago e nos impulsiona diariamente. Cansaço do estado de inércia em que se encontra. Cansaço de você. Cansaço da rotina agoniante que te envolve, te definha e te consome dia após dia. Cansaço de mim.
São os seus olhos denunciantes. É você em estado de iminência: prestes a sucumbir e a desistir.
São os seus olhos sem esperança, entregues, que pedem descanso e alívio em meio a tanto caos e barulho (internos e externos).
São os seus olhos fundos que me puxam. E eu vou: mergulho, com medo e hesitação, mas mergulho. Me perco nesse par de pequenos oceanos cotidianamente. Por vezes me falta ar e sinto vontade de desistir e voltar à superfície. Confesso: às vezes volto, mas logo sou levada pela maré alta e intensa da sua tristeza e por ela sou conduzida. É sempre assim. 
E me encontro envolvida em sua laguna interior que parece aumentar um tantinho a cada dia. Me encontro no imensurável e rotineiro desespero, que é tanto meu quanto seu, que parece ser uma extensão de nós dois. Esse desespero que reflete nos seus olhos para refletir nos meus. E vice versa. 
Esse desespero pulsante, que não me deixa desistir: de você, de mim. Que me faz querer ir até o fundo, até o seu âmago, até o limite. Se é que existe um limite. Porque não basta e nunca vai bastar.
Eu não basto.
Você não basta.

"Ai de nós!, que vamos perdendo a capacidade de apreciar a sutileza das coisas, que nos vamos tornando pouco a pouco bárbaros, por uma vasta dispersão no complexo mundo que nos cerca. Mal sabemos parar e refletir. Mal sabemos ver. As pequenas coisas não nos revelam mais os seus doces segredos? Ou os nossos ouvidos endureceram para a sua misteriosa voz?"

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Seja Você




"Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer"

sábado, 27 de outubro de 2012

Distância (s.f): 

1. Intervalo entre dois pontos, dois lugares, dois objetos. 
2. Grande diferença. 
3. Afastamento. 
4. Posição de pouco ou menor envolvimento emocional ou afetivo. 
5. Período de tempo que medeia entre dois fatos, duas ocasiões ou épocas. 
6. Diferença entre categorias sociais.

Trama


"Um dia, eu já tinha bastante idade, no saguão de um lugar público, um homem se aproximou de mim. Apresentou-se e disse: "Eu a conheço desde sempre. Todo mundo diz que você era bonita quando jovem; venho lhe dizer que, por mim, eu a acho agora ainda mais bonita do que quando jovem; gostava menos do seu rosto de moça do que do rosto que você tem agora, devastado."