sábado, 28 de abril de 2012

Vi teu rosto luminoso
inclinar-se em meu silêncio
Mas disseram ser a Lua,
prismas de estrelas, areia,
marinha fosforescência...

          E tua voz me falava
          em grandes raios profusos.
          Mas diziam ser o vento,
          o outono pelas ramagens,
          o idioma cego dos Búzios...

E andei contigo em minha alma,
como os reis levam coroas,
e as mães carregam seus filhos
e o mar seu movimento
e a floresta seus aromas.

Diziam que era da noite,
da miragem dos desejos...


          Hei de banhar os meus olhos
          nas mil ribeiras da aurora,
          para ver se ainda te vejo.


quinta-feira, 8 de março de 2012

"Realidade

 Qual a profundidade desse rio? Meus pés não encontram o fundo, a angústia aperta, a sanidade falta. O corpo padece. Os braços querem continuar, em braçadas pesadas, continua afundando, inutilmente reage, mas o coração já não responde. Onde encontrar o ar e a alegria? Por onde a verdade andou todo esse tempo, e por onde ela anda, afinal? Por que mergulhei em águas tão escuras, ou fui eu quem fechou os olhos? Fragmentos? Novamente vão me restar fragmentos? Como conseguir emergir? Cada pedaço de mim celebra o fim em um ritual indesejado, cada pequeno pedaço retorce uma ânsia nada antes sentida, repleta de saberes na teoria, mas na prática aproxima-se do amargo e insano mergulho na realidade. Diz-se a margem, mas a margem é a morte de tudo o que acredita. Diz-se frio, mas era pura adaptação ao meio. Diz-se distante, mas quais eram os motivos para voltar? Ser fantoche de mim mesmo, envolto sim em uma armadura cotidiana, familiar e bastante rígida. Qual a profundidade desse rio, fantoche? Não sei, pulei, mas nunca aprendi a nadar."



 Marluci Longarez Fofa.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"Abro os olhos. Está tudo embaçado. Torno a fechar. Tento me convencer de que não preciso na verdade abri-los, que posso existir perfeitamente, concatenar ideias e palavras (poucas, mas poucas está bom), com olhos fechados para sempre. Mas em frente, tenho de ir em frente, então abro."
    "Começo a ir. Sei perfeitamente para onde vou quando dou um primeiro passo em direção ao escuro total. Ao passar pela placa, não me viro. Vai estar escrito: "saída exclusiva de babacas que não têm quarto no hotel, blusa top, calça baggy nem planos para o futuro". E, em vez de "tá, tá, tá", um "rá, rá, rá" galhofeiro.
     Apresso o passo. Mergulho no breu com confiança de cego.
    É uma questão de treino.




Shirley Marlone mergulha na escuridão de uma praia deserta. Às suas costas, deixa um hotel cinco estrelas e os programas com turistas ricos. À sua frente, só existe a necessidade de inventar um novo dia. Não é a primeira vez. Não será a última. Mas desta vez há uma pessoa a quem ela não precisará dizer nada. É isso que busca, o silêncio, a desimportância de um cotidiano banal. Nada mais difícil."

domingo, 5 de fevereiro de 2012

"under unnatural circumstances
i forget about your vain pretenses
but if you want to recreate the sea, another sky for me,
i got you."

terça-feira, 24 de janeiro de 2012


"Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O que é grande
É a arte
Há vida em Marte."