quarta-feira, 28 de janeiro de 2015



“Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing directions. You change direction but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn't something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside of you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn't get in, and walk through it, step by step. There's no sun there, no moon, no direction, no sense of time. Just fine white sand swirling up into the sky like pulverized bones. That's the kind of sandstorm you need to imagine. And you really will have to make it through that violent, metaphysical, symbolic storm. No matter how metaphysical or symbolic it might be, make no mistake about it: it will cut through flesh like a thousand razor blades. People will bleed there, and you will bleed too. Hot, red blood. You'll catch that blood in your hands, your own blood and the blood of others. And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person who walked in. That's what this storm's all about.”

terça-feira, 23 de setembro de 2014

nighttiming





"De presente, se eu pudesse, pediria um dia com você, um dia e uma noite. Um dia em que nada tivesse acontecido, um dia inteiro em que a gente não tivesse machucado um ao outro. Um dia ouvindo você rir até perder o fôlego, só mais uma vez. Eu sinto falta da sua risada e de você me abraçando. Um dia só em que nada tivesse acontecido. Ou um dia só em que eu pudesse ser estúpida e fingir que não entendi que não dá, que chega, uma última vez, só mais uma vez."


Texto da Renata Borges.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013



"As suas lágrimas. São dias inteiros chorando, às vezes enquanto vê um filme ou conversa comigo, enquanto borda, enquanto urina, um riacho ininterrupto rolando pra baixo. Nunca a vi chorar dormindo, mas chora quando a visitam sem que ninguém perceba ou para de chorar quando chega alguém e recomeça imediatamente quando sai. Às vezes fica com a cara péssima, mas em geral tem o rosto neutro. Chora por ser covarde, chora principalmente porque não pode parar de chorar. Não há ventos fortes nem tufões, mas uma monotonia de laguna excessivamente salgada onde os peixes não conseguem sobreviver, apenas alguns sargaços rancorosos e caranguejos pré-históricos. Também quando sorri ou gargalha e posso ver as suas amídalas, também então mergulha nessa laguna. Não há nada fora da sua melancolia, por mais que ela se esforce e diga as palavras que todos forcemos para que diga, e faça isso com extraordinário senso de medida, sem euforia, sem otimismo demais. A verdade é que não está indo a lugar nenhum, não se movimenta propriamente entre um ponto cardinal e outro, marcos de fronteira que seu mundo não inclui. Está sempre em sua laguna de água parada, em seu mar morto e escuro, sem a borda de uma praia. A sua doença pode durar para sempre e o que vivemos até agora transformar-se no prefácio de um livro escuro. A vida inteira assim, quarto, cama, internações, em vez da morte com seu desfecho - sua pá de cal, o muro do seu sepulcro, seus órfãos pequeninos. Ela pode, porque pode tudo, ficar exatamente como está, quietinha em sua laguna, em seu mormaço."

Nuno Ramos

terça-feira, 12 de novembro de 2013


"JOÃO:

Olho Teresa. Vejo-a sentada aqui a meu lado, a poucos centímetros de mim. A poucos centímetros, muitos quilômetros. Por que essa impressão de que precisaria de quilômetros para medir a distância, o afastamento em que a vejo neste momento? Olho Teresa como se olhasse o retrato de uma antepassada que tivesse vivido em outro século. Ou como se olhasse um vulto em outro continente, através de um telescópio. Vejo-a como se a cobrisse a poeira tenuíssima ou o ar quase azul que envolvem as pessoas afastadas de nós muitos anos ou muitas léguas. Posso dizer dessa moça a meu lado que é a mesma Tereza que durante todo o dia de hoje, por efeito do gás do sonho, senti pegada a mim? Esta é a mesma Teresa que na noite passada conheci em toda intimidade? Posso dizer que a vi, falei-lhe, posso dizer que a tive em toda a intimidade? Que intimidade existe maior que a do sonho? a desse sonho que ainda trago em mim como um objeto que me pesasse no bolso? Ainda me parece sentir o mar do sonho que inundou meu quarto. Ainda sinto a onda chegando à minha cama. Ainda me volta o espanto de despertar entre móveis e paredes que eu não compreendia pudessem estar enxutos. E sem nenhum sinal dessa água que o sol secou mas de cujo contacto ainda me sinto friorento e meio úmido (penso agora que seria mais justo, do mar do sonho, dizer que o sol o afugentou, porque os sonhos são como as aves não apenas porque crescem e vivem no ar). Teresa aqui está, ao alcance de minha mão, de minha conversa. Por que, entretanto, me sinto sem direitos fora daquele mar? Ignorante dos gestos, das palavras? O sonho volta, me envolve novamente. A onda torna a bater em minha cadeira, ameaça chegar até a mesa. Penso que, no meio de toda esta gente da terra, gente que parece ter criado raízes, como um lavrador ou uma colina, sou o único a escutar esse mar. Talvez Teresa... Talvez Teresa... Sim, quem me dirá que esse oceano não nos é comum? Posso esperar que esse oceano nos seja comum? Um sonho é uma criação minha, nascida de meu tempo adormecido, ou existe nele uma participação de fora, de todo o universo, de sua geografia, sua história, sua poesia? O arbusto ou a pedra aparecida em qualquer sonho pode ficar indiferente à vida de que está participando? Pode ignorar o mundo que está ajudando a povoar? É possível que sintam essa participação, esses fantasmas, essa Teresa, por exemplo, agora distraída e distante? Há algum sinal que a faça compreender termos sido, juntos, peixes de um mesmo mar? Donde me veio a ideia de que Teresa talvez participe de um universo privado, fechado em minha lembrança? Desse mundo que, através de minha fraqueza, compreendi ser o único onde me será possível cumprir os atos mais simples, como por exemplo, caminhar, beber um copo de água, escrever meu nome? Nada, nem mesmo Teresa."

Os Três Mal Amados, João Cabral de Melo Neto.

domingo, 15 de setembro de 2013

Lembrei

01001001 00100111 01101101 00100000 01110011 01110100 01101001 01101100 00100000 01101001 01101110 00100000 01101100 01101111 01110110 01100101 00100000 01110111 01101001 01110100 01101000 00100000 01111001 01101111 01110101.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

quarta-feira, 5 de junho de 2013



Afinal, como estipular um preço para um despertar entorpecido e esmagado pelo peso da imensidão do dia? Ou para o barulho das folhas das árvores sob o estímulo do vento? Ou ainda para o fluxo descompassado das pessoas num cenário quase que rotineiro? Como estipular um preço, como transformar em mera mercadoria esses olhos negros, esse par de pequenos oceanos que atravessa o meu coração?